terça-feira, 2 de março de 2010

O trem que chega é o mesmo trem da partida.

Sei que muitas pessoas (conscientemente ou não) compartilham da minha opinião: o metrô é muito romântico. Pra começar pelo fato de estar sempre quentinho. Isso pode ser bem desagradável, mas garanto que, no frio, é uma delícia. E convenhamos: ambientes aquecidos como salas com lareiras ou carros com aquecedores inspiram muitos casais pelo mundo afora há uma eternidade.
Além disso, o metrô é o lugar ideal para encontrar pessoas de todos os formatos, cores e tamanhos. Você pode optar por encontrar todas no mesmo lugar (Estação Sé - você certamente já teve a sensação de que todos os habitantes da Terra estavam lá no mesmo instante) ou escolher estações que têm caras características (adorei esse som!) como a Liberdade ( - - ).
Se você nunca tentou, tente! É bem interessante paquerar no metrô. Você pode até perder o medo por ter quase certeza de que nunca mais verá aquela pessoa na sua vida. E se vir ( e lembrar), ficará muito vermelho de timidez (não mata ninguém) ou terá um sinal de que há algo de especial entre vocês (sim, eu, bobinha, acredito em destino.)
Um ingrediente essencial para deixar o clima romântico mesmo é a presença da música. Estar ouvindo algum som para se inspirar é maravilhoso. Se estiver paquerando ou somente admirando o amor alheio, imagine que as pessoas envolvidas no seu pensamento também possam ouvir sua canção. (Recomendo: Come Pick Me Up de Ryan Adams) Assim, terá a sensação de que a vida é bela e o mundo lindo e justo nem que seja por um instante.
Acredito também (e isso vai lhes parecer muito tosco, mas alguns se identificarão) que aquele ventinho que bate no rosto de quem espera o trem chegar à plataforma faz com que qualquer feioso tenha seu momento de esplendor hollywoodiano. E o mais intrigante, é que as pessoas se sentem assim. Basta reparar nas expressões que tomam conta de faces meramente comuns. Isso pode lhes render boas gargalhadas.
Devo acrescentar que nunca me apaixonei por alguém que conheci no metrô, mas depois que percebi como era grande a frequência de casais que passam pelas janelinhas em velocidade, concluí que lá, além de tudo, é ótimo ponto de encontro. Será que acham menos indecente ficar aos beijos e amassos sob o solo?
Acho importante frisar que eu, particularmente, considero o romantismo brega. Na verdade, bregas são os atos a ele relacionado hoje em dia. Deixo de ser romântica a partir do momento que riria de constrangimento ou choraria de raiva se me deparasse com bichinhos de pelúcias com mensagens de amor gravadas, pedidos de casamento com aliança dentro do bombom ou serenatas à luz da lua?
Se você duvidou ou achou minha ideia não faz sentido algum, vá até aquele site de relacionamento famoso e procure pela comunidade "Amores Breves de Metrô". Eu, crente desse amor, me surpreendi com tantos depoimentos intrigantes. Não posso deixar de comentar que não esperava encontrar relatos semelhantes de frequentadores de ônibus. Todo aquele "balanço do busão" me incomoda a ponto de fazer com que eu concentre todos meus pensamentos e esforços na tentativa de não deixar o corpo ir ao encontro do chão. Impressionante mesmo como as pessoas sempre dão um jeitinho.
Grata pela atenção.
Agradecimentos especias ao apreço de meu irmão Guilherme, mais novo fundador de um blog: http://www.blogdabilola.blogspot.com/ (Visitem!)

6 comentários:

me_da_um_real disse...

Hahaha, adoro essa sua visão positivista de tudo. Realmente você consegue ver a flor atrás dos espinhos Quel.
Realmente é muito romantico estar apertado entre vários seres desconhecidos, e pensar que alguns deles podem estar "fecundando" com você, sem vc tomar conhecimento =)

Parabéns pelo post.

Daniel Bello disse...

"É um solitário andar por entre a gente". Confesso que fiquei com ciúmes, mas concordo com o seu post, é nesse solitário mundo das multidões que sentimos saudades dos rostos que nunca antes vimos.

Valeria Archas disse...

Quando vou para Sampa, sempre tomo metrô e não acho tão romântico assim. Às vezes vc percebe uma ou duas pessoas interessantes, mas a maioria dá medo. Elas estão sempre com a cara fechada, mas são simpáticas quando perguntamos alguma coisa a respeito das estações (que eu sempre esqueço a sequência, ou de que lado vai abrir a porta). De vez em quando, aparecem pessoas bem interessantes, que falam sozinhas, que adoram conversar com estranhos, figuraças.
Deve ser legal mesmo, conhecer alguém interessante e manter contato, mas eu achava q isso nem existia. Se acontece, ótimo, é mais uma opção para quem está procurando parceiros.

Gui Marcks disse...

Belo post! Falando sobre amores passageiros de metrô, tem um amigo meu que por pegar todo dia o metrô no mesmo horário acabou puxando assunto com uma garota na tentativa de iniciar um xaveco. Não obteve sucesso.
Já conheço outros 2 que de uma estação para a outra, no alto de seus graus alcóolicos, acabaram se atracando com 2 minas que saiam de bares.
Quem sabe um dia encontro meu amor de metrô.

Mas acho q o fato de procurar e não achá-lo é ainda mais instigante.

Ótimas ideias.

lf_larry disse...

Será que dá pra ter insônia no metrô ? (ainda não me conformei, desculpa). Piadas internas a parte, muito bom denovo Quel! Ventinho hollywoodiano foi demais! De boa se eu não achar meu amor no metrô, mas eu ia gostar mesmo era de achar aquela caixinha de bis que some na propaganda.

Luiz Felipe disse...

hahahaha sensacional Quel, consigo imaginar vc falando essas coisas! =P

"aliança dentro do bombom" haha...pois é!

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